A Polícia Federal (PF) revelou que David Henrique Alves, apontado como o mentor do grupo de hackers a serviço do banqueiro Daniel Vorcaro, foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) transportando computadores em seu carro no mesmo dia da prisão de Vorcaro, em 4 de março. A intenção, segundo a investigação, era destruir os equipamentos para eliminar vestígios das atividades do grupo conhecido como “A Turma”.
Fuga e destruição de evidências
O registro da PRF mostra que David Henrique Alves foi abordado às 23h30 do dia 4 de março. Ele estava acompanhado de Katherine Venâncio Teles, também investigada. Dentro do veículo, os agentes encontraram um computador de mesa, vários notebooks, caixas e malas. A PF interpretou a situação como um claro indício de tentativa de fuga e de destruição ou ocultação de provas digitais que poderiam comprometer a operação criminosa.
O policial rodoviário responsável pela abordagem notou a dificuldade de David em justificar a presença no carro de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, e a existência de um documento de identidade de terceiros no interior do automóvel, aumentando a suspeita sobre sua conduta. No dia seguinte, um indivíduo ligado a David apareceu no imóvel alugado, com acesso autorizado por Katherine, levantando a hipótese de uma rápida desmobilização após a deflagração da operação policial.
Imóvel alugado sob suspeita
As investigações da PF também destacam a locação de um imóvel em Lagoa Santa (MG), supostamente utilizado para atividades criminosas. No dia da prisão de Vorcaro, David Henrique Alves tentou devolver o apartamento às pressas. A proprietária descreveu David como uma pessoa reservada e pouco presente, com a locação intermediada por uma imobiliária. Às 10h do dia 4 de março, ele telefonou para a corretora, alegando que precisava desocupar o imóvel urgentemente devido a uma emergência familiar em São Paulo. Poucas horas depois, por volta das 15h, David deixou o local de forma acelerada, “cantando pneus”, conforme relatos de moradores, o que gerou reclamações e reforça a teoria de sua tentativa de se livrar das evidências.
A sexta fase da Operação Compliance Zero, que culminou na prisão do pai de Daniel Vorcaro, focou em um grupo especializado em obter dados sigilosos e invadir sistemas governamentais. A delegada Valéria Vieira Pereira da Silva foi afastada e o policial federal Francisco José Pereira da Silva foi detido, sob suspeita de crimes como ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional.



