Mais de vinte modelos e influenciadores digitais lançaram graves acusações contra a agência brasiliense Brain Assessoria, apontando um suposto esquema de fraudes e calotes. As vítimas relatam que a empresa prometia campanhas publicitárias e contratos lucrativos que, na prática, jamais se concretizavam. Os prejuízos acumulados levaram um grupo delas a mover uma ação judicial na esfera cível do Distrito Federal, cujo valor da causa já atinge R$ 53 mil.
A Brain Assessoria, que ostenta uma base de mais de 20 mil seguidores em suas redes sociais, apresenta-se como uma das gigantes do agenciamento de talentos no Brasil, prometendo intermediação em desfiles de moda, produções comerciais e editoriais para publicações de renome mundial. Com sede no Setor de Rádio e TV Sul, a agência seduzia aspirantes a modelos e influenciadores com a promessa de alçar suas carreiras a um novo patamar.
Promessas Mirabolantes e Dinheiro Sumido
O modus operandi, conforme as denúncias, envolvia abordagens via Instagram, convidando jovens para integrar o casting da Brain. Para isso, porém, era exigida a contratação de planos de agenciamento que variavam entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. A promessa era de que, após o pagamento, seus perfis seriam amplamente divulgados a marcas e clientes potenciais, garantindo uma enxurrada de trabalhos. Contudo, relatos unânimes indicam que, uma vez efetuado o pagamento, as oportunidades prometidas evaporavam.
Os depoimentos são chocantes. Uma das vítimas, Camila, narrou ter sido abordada com propostas sedutoras para atuar como influenciadora e modelo. Em uma reunião presencial, a agência teria feito uma apresentação “agressiva”, repleta de nomes de grandes marcas e celebridades, mencionando até campanhas da Chanel e a amizade do proprietário com o modelo Jesus Luz. Camila desembolsou R$ 3 mil em um plano de três anos, mas, após a assinatura, nunca recebeu uma proposta de trabalho concreta, a não ser uma ação em permuta com uma ótica, o que estava distante das promessas iniciais. Outra vítima, Diego, foi convencido a pagar R$ 1,8 mil com a promessa de uma campanha para a Ray-Ban, que se revelou um ensaio de baixa qualidade e sem o retorno prometido. Já Rebeca foi atraída por um plano de R$ 2 mil, com a promessa de ganhos mensais significativos e parcerias com marcas como Dior e Victoria’s Secret, mas também se viu sem os trabalhos prometidos.
O Grupo “Enganados pela Brain” e a Busca por Justiça
À medida que as promessas não se concretizavam, as vítimas foram se encontrando e percebendo que não estavam sozinhas. Formou-se então o grupo “Enganados pela Brain”, unindo forças na busca por justiça. Muitos relatam que, após o pagamento, a agência se esquivava das cobranças, afirmando que o contrato não garantia empregos, contradizendo as promessas iniciais. A baixa qualidade dos poucos “trabalhos” oferecidos e a falta de oportunidades reais acenderam o alerta. Ex-funcionários teriam corroborado as suspeitas, indicando que as raras campanhas eram direcionadas para um pequeno círculo de influenciadores ligados à empresa. As denúncias se acumulam, e a Justiça do Distrito Federal já está de olho nas operações da Brain Assessoria.


