A Boa Safra encerrou o quarto trimestre de 2025 com prejuízo de R$ 8,4 milhões, revertendo o lucro registrado no mesmo período do ano anterior. O desempenho fraco reflete um cenário desafiador para o setor, marcado por excesso de oferta de sementes, queda nos preços e aumento nas perdas de produção.
Apesar do resultado negativo, a empresa apresentou crescimento relevante na receita, que avançou 29% no trimestre, impulsionada pelo aumento no volume de vendas. Ainda assim, a rentabilidade caiu de forma significativa: o Ebitda recuou mais de 50%, com forte compressão das margens.
Segundo o CEO Marino Colpo, o desempenho ficou abaixo do esperado e reflete um problema que atinge todo o mercado. Ele destacou que o setor enfrenta um período de excesso de produção, o que pressiona preços e dificulta a recuperação financeira das empresas.
O que levou ao prejuízo
A companhia atribui o resultado a três fatores principais:
- Queda no preço médio das sementes
- Aumento dos custos logísticos, com mais vendas no modelo CIF
- Crescimento nas perdas de produção
O índice de descarte de sementes chegou a 15%, acima da média histórica, reduzindo o volume disponível para comercialização e impactando diretamente a rentabilidade.
Mesmo com prejuízo, empresa cresce no mercado
Apesar das dificuldades, a Boa Safra ampliou sua participação no mercado. As vendas cresceram 34% em 2025, levando a empresa a atingir cerca de 10% de market share — o maior nível da sua história.
Esse avanço ocorreu mesmo com o descarte de parte da produção por questões de qualidade, mostrando ganho de escala e presença no setor.
Situação financeira e perspectivas
A empresa encerrou o ano com mais de R$ 1 bilhão em caixa e uma dívida majoritariamente de longo prazo, o que garante maior fôlego financeiro no curto prazo.
Para os próximos anos, a expectativa da gestão é de ciclos alternados no setor, com períodos de forte crescimento e outros de retração, algo considerado natural dentro do agronegócio.
Mesmo diante do prejuízo no trimestre, a empresa aposta na expansão e na consolidação de mercado como estratégia para sustentar resultados no longo prazo.


