A Polícia Federal (PF) deflagrou a quinta fase da Operação Compliance Zero, desta vez mirando o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O parlamentar é alvo de investigações sobre um complexo esquema envolvendo corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. A autorização para a operação partiu do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também impôs ao senador a proibição de contato com testemunhas e outros investigados.
Nesta fase da operação, foram expedidos dez mandados de busca e apreensão e um de prisão temporária, executados nos estados do Piauí, São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. A PF, em relatório detalhado enviado ao STF, aponta que Ciro Nogueira teria recebido “vantagens indevidas” de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master.
Detalhes do Esquema Apontados pela PF
Conforme os investigadores, o parlamentar teria apresentado uma emenda com o objetivo de elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Este instrumento legislativo teria sido elaborado com a participação de membros do próprio Banco Master, beneficiando diretamente a instituição de Vorcaro. Além disso, o esquema incluía a percepção de vantagens patrimoniais contínuas, como pagamentos mensais, aquisição societária com deságio significativo, custeio de despesas pessoais e o usufruto de bens de alto valor, além de indícios de pagamentos em dinheiro vivo.
A Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025, tem como foco combater a emissão de títulos de crédito falsos por instituições financeiras e investigar irregularidades no Banco Master. A investigação que levou à prisão de Daniel Vorcaro em Guarulhos, suspeito de tentar fugir para Dubai, também resultou no bloqueio de contas totalizando R$ 12,2 bilhões e na apreensão de bens de luxo. A apuração começou em 2024, após requisição do Ministério Público Federal, focando na criação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira, que foram posteriormente vendidas a outro banco e substituídas sem a devida avaliação técnica após fiscalização do Banco Central.
Em 2026, a operação avançou com a prisão de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco Regional de Brasília), sob suspeita de ter recebido R$ 140 milhões de Vorcaro em propina para facilitar a compra do Banco Master. Ele também é investigado por pressionar acionistas a comprar ações do BRB utilizando recursos do próprio Banco Master, conforme indicado por e-mails que revelam um ignorar das práticas de governança do BRB.


