Em um depoimento que promete agitar os bastidores da investigação sobre suposta manipulação de influenciadores, Thiago Miranda, proprietário da Agência Mithi, detalhou à Polícia Federal o ambicioso projeto de “reconstrução de imagem” elaborado para Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A revelação veio à tona no inquérito que apura a contratação de personalidades digitais para um possível ataque ao Banco Central, reacendendo o debate sobre a ética e a transparência no ambiente digital.
Miranda, que prestou depoimento recentemente, afirmou que a iniciativa surgiu após a primeira prisão de Vorcaro. O objetivo primordial, segundo o dono da agência, era permitir que o empresário pudesse “contar a sua verdade” sobre os eventos que culminaram na liquidação do banco e em sua detenção. O projeto incluía a criação de uma forte presença online para Vorcaro nas principais plataformas, como Instagram, YouTube e um site próprio, configurando uma estratégia de comunicação multiplataforma para reverter a percepção pública negativa.
Estratégia de Mídia e o Papel dos Influenciadores
A estratégia delineada pela Agência Mithi, conforme narrado por Miranda, dividia-se em duas fases cruciais. A primeira etapa envolveria a veiculação de pautas com veículos de grande alcance e credibilidade, como o jornal Folha de São Paulo e o Estadão. A fase subsequente seria a ressonância dessas matérias por influenciadores digitais, que comentariam os artigos junto aos seus milhões de seguidores. Miranda fez questão de enfatizar que, embora houvesse orientação temática, o conteúdo não era diretamente “aprovado” por Vorcaro, tentando desvincular a agência de qualquer ordem direta para ataques.
O empresário também esclareceu à PF que a finalidade não era atacar diretamente o Banco Central, mas sim capitalizar sobre as notícias veiculadas para gerar uma narrativa favorável a Vorcaro. “Se saísse no Estadão: ‘Banco Master é liquidado em menos de 45 minutos’, a gente mandava para o perfil, e o perfil fazia, de acordo com o texto, a narrativa dele”, exemplificou Miranda, descrevendo a dinâmica de como os influenciadores eram briefados. Ele garantiu que os contratos com os influenciadores incluíam cláusulas proibindo ataques a órgãos públicos ou a reputação de pessoas.
Detalhes Financeiros e Conexões
Os pagamentos aos influenciadores variavam consideravelmente, sendo determinados pelo tamanho do perfil e pela frequência das postagens. Miranda chegou a mencionar que figuras como Luiz Bacci teriam recebido R$ 500 mil, enquanto o perfil Not Journal teria um cachê de R$ 30 mil. O projeto, com duração aproximada de 20 dias, foi custeado com recursos provenientes da venda de parte de Miranda no portal Léo Dias. O empresário também revelou que a conexão com Vorcaro se deu através de um colega, Flávio Carneiro, e que, embora a relação tenha se estendido ao coleguismo, não eram “próximos”.
A investigação, que teve início em janeiro de 2026, continua a mapear os 22 perfis de redes sociais contratados para o “Projeto DV”. A Polícia Federal planeja agora ouvir os influenciadores envolvidos, aprofundando as apurações sobre a possível manipulação do fluxo de informações e a tentativa de construir uma narrativa específica sobre o caso Master nas redes sociais.



