O ministro Nunes Marques assumiu nesta terça-feira (12/5) a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), trazendo à tona um dos debates mais urgentes para o futuro das eleições brasileiras: a Inteligência Artificial (IA). Em seu primeiro discurso como chefe da Justiça Eleitoral, Marques destacou a IA como o principal desafio a ser enfrentado nas eleições de 2026, projetando uma era de profundas transformações e complexidades para o processo democrático.
A tecnologia, embora promissora, carrega consigo um potencial de uso inadequado que pode distorcer o pleito. Marques enfatizou que, se por um lado a IA oferece ferramentas benéficas, por outro, exige vigilância redobrada para evitar que seja manipulada, afastando o poder de decisão do eleitorado e transferindo-o para “uma máquina”. A preocupação central é garantir que a autonomia da escolha popular permaneça inabalável diante do avanço tecnológico.
Democracia em Perigo: IA e a Desinformação
A retórica do novo presidente do TSE ressaltou que a essência da democracia brasileira está alicerçada na vontade expressa nas urnas. “O futuro da nossa democracia não será delineado por máquinas, mas pelos milhões de brasileiras e brasileiros que depositaram nas urnas sua mensagem de esperança,” afirmou o ministro. Proteger a democracia, segundo ele, significa não apenas salvaguardar esse processo, mas também expandir o acesso à participação política e derrubar barreiras históricas que impedem o pleno exercício da cidadania.
Marques aprofundou sua explanação ao abordar a dupla face da problemática. O desafio da IA não é meramente tecnológico. É multifacetado, englobando aspectos institucionais, culturais e, sobretudo, humanos. Ele destacou que a desinformação deliberada e a manipulação do debate público, potencializadas pela IA, representam ameaças reais e prementes à democracia. Campanhas eleitorais, outrora conduzidas nas ruas, hoje se desdobram intensamente nos algoritmos, um novo campo de batalha que exige atenção redobrada da Justiça Eleitoral.
Independência e Equilíbrio na Justiça Eleitoral
Para cumprir sua missão em um cenário tão dinâmico, Nunes Marques sublinhou a necessidade de a Justiça Eleitoral atuar com “independência, equilíbrio e prudência”. Segundo o ministro, a omissão perante as ameaças concretas ao processo democrático não é uma opção, mas também é crucial evitar “excessos incompatíveis com o Estado Democrático de Direito”. A meta é forjar um caminho que permita combater os perigos da IA sem comprometer os princípios fundamentais da justiça e da liberdade.
A cerimônia de posse contou com a presença de diversas autoridades, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidentes da Câmara e do Senado, e figuras políticas que reforçam a importância do cargo e da pauta levantada por Nunes Marques. A transição da gestão de Cármen Lúcia para o novo comando, que inclui André Mendonça como vice-presidente, simboliza uma nova fase na vigilância e proteção do sistema eleitoral brasileiro.



