Em uma movimentação política de peso no Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), selou um acordo crucial com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O pacto estabelece a tramitação de um Projeto de Lei (PL) do Palácio do Planalto que visa pôr fim à polêmica escala de trabalho 6×1, na qual o empregado trabalha seis dias e folga apenas um. A notícia, que vinha sendo aguardada com expectativa, marca um avanço significativo nas discussões sobre a jornada de trabalho no país.
Prioridade para a PEC antes do PL do governo
O acerto entre Motta e o governo define uma estratégia clara: o PL governamental somente será pautado para votação após a apreciação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Esta PEC tem como objetivo central estabelecer as regras de transição e considerar as especificidades de cada categoria profissional. Atualmente em discussão em uma comissão especial, a expectativa é que a PEC chegue ao plenário da Câmara até o final deste mês, abrindo caminho para o debate do projeto do Executivo.
Conforme informações já divulgadas, a PEC, que tem como relator o deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deverá consolidar o teto de 40 horas semanais e garantir dois dias de folga remunerados. Além disso, a proposta busca fortalecer as convenções coletivas, pavimentando o caminho para a implementação de modelos de jornada alternativos, como a escala 4×3. Essa flexibilização é vista como um ponto crucial para conciliar os interesses de trabalhadores e empregadores.
Reuniões Estratégicas e Posição do Governo
O acordo foi costurado em uma reunião estratégica que contou com a presença de Hugo Motta, dos ministros das Relações Institucionais, José Guimarães, e do Trabalho, Luiz Marinho, além do relator da PEC, Leo Prates, e do presidente da comissão especial, Alencar Santana (PT-SP). Após o encontro, ficou claro que a PEC terá prioridade para avançar para o Senado, enquanto o PL terá seu debate focado na Câmara, respeitando a sequência estabelecida no acordo.
É importante ressaltar que, em meio a essas discussões, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou-se contrariamente a qualquer tipo de compensação patronal pela redução da escala de trabalho, um ponto sensível para o setor empresarial. O governo, por sua vez, defende que a transição para as novas regras de jornada seja imediata, buscando celeridade na implementação das mudanças e na melhoria das condições de trabalho.


