Nesta terça-feira, o Dia Mundial de Conscientização sobre a Fibromialgia trouxe à tona discussões cruciais sobre uma condição que, apesar de afetar cerca de 2,5% a 3% da população global, ainda é amplamente incompreendida. Caracterizada por dores generalizadas, fadiga avassaladora e distúrbios do sono, a síndrome apresenta desafios significativos, especialmente no diagnóstico, que frequentemente é tardio e marcado por incertezas.
A reumatologista Sandra Maria Andrade, do Hospital Santa Lúcia Sul, ressalta que um dos maiores obstáculos é justamente a dificuldade em identificar a condição. “A demora acontece porque a dor pode começar de forma mais leve, aumentar gradualmente e se tornar difusa, por vezes ‘imitando’ sintomas de outras doenças”, explica a especialista. Não há um exame laboratorial específico para confirmar a fibromialgia, exigindo uma avaliação clínica minuciosa e a exclusão de outras patologias infecciosas, metabólicas e inflamatórias.
Como Reconhecer a Dor da Fibromialgia?
A fibromialgia se manifesta através de dores musculoesqueléticas que se espalham pelo corpo de forma contínua, afetando músculos, tendões e articulações. Diferentemente de condições inflamatórias, ela não provoca sintomas como calor, vermelhidão ou inchaço. A dor pode surgir como agulhamento, choque ou uma hipersensibilidade ao toque, muitas vezes se intensificando durante a noite. Além da dor, os pacientes frequentemente sofrem de fadiga crônica, sono superficial e fragmentado, alterações de humor, dores de cabeça e problemas intestinais. A ciência aponta que a síndrome está ligada a uma alteração na maneira como o sistema nervoso central processa a dor, envolvendo mediadores como adrenalina e noradrenalina.
Tratamento Abrangente: Mente e Corpo em Harmonia
Embora a fibromialgia não tenha uma cura definitiva, seu manejo é possível com um acompanhamento adequado e ajustes no estilo de vida. A Dra. Sandra Maria Andrade enfatiza a importância de cuidar da saúde emocional, controlando distúrbios como ansiedade e depressão. A adesão a uma boa higiene do sono e a prática regular de exercícios físicos são fundamentais para aliviar a dor e melhorar significativamente a qualidade de vida. O uso de medicações também pode ser um aliado crucial para controlar a dor aguda e prevenir a cronificação dos sintomas, evitando que a percepção dolorosa se torne permanentemente alterada.



